Do tempo da vovó?

Você tem a sensação que sempre que uma avó é retratada, ela está em uma cadeira de balanço costurando ou tricotando? Eu tenho como referência a minha avó que era costureira, mas em uma imagem bem diferente. Eu me lembro de uma mulher forte que começou a trabalhar nova, que aprendeu a modelar sozinha e fazia os mais belos vestidos, mesmo sem incentivo e sem as informações que temos hoje. No Natal ela fazia os presentes, comandava bazares e era muito empreendedora. Pelo menos, essa é a lembrança que eu tenho dela, nas minhas memórias juvenis.

De qualquer maneira, já me deparei com algumas situações engraçadas e outras um tanto curiosas, como algumas pessoas estranhando o fato de eu ser “tão nova para costurar”.

Parece que a ideia – será do cinema, da televisão ou da literatura? – que é preciso ser “vovó” para costurar ainda está enraizada no imaginário humano. Possuo colegas engenheiros, arquitetos e médicos que assumem muita responsabilidade na profissão, com a mesma idade que eu tenho. Claro que experiência vem com o tempo, mas tempo é relativo à dedicação e acredito que independe da idade, concorda? Nenhuma idade deve ser empecilho para fazer alguma coisa.

Estou dizendo isso, pois todos nós temos que enfrentar desafios e estou contando um dos meus. O importante é aprender a lidar com as dificuldades e acho que elas nos ajudam a ir mais longe.

Voltando ao assunto… Imagino que a costura se perdeu em meio às mudanças no mundo. Antes, as mulheres trabalhavam como donas de casa: cozinhavam, costuravam, cuidavam dos filhos… Talvez a imagem da costura tenha ficado presa à isso e, quando elas começaram a entrar no mercado de trabalho, se distanciaram desses ofícios. Não sei, estou levantando algumas suposições para discutirmos…

Mas aí o mundo ficou globalizado e cada dia há mais informações, muitos acontecimentos, redes sociais e tudo de bom e de ruim que a internet trouxe ao mesmo tempo, sem nos dar tempo para pensar, para analisar, para respirar. Quando percebemos, já passou e, quando vimos, o efeito era inverso: as pessoas amam a globalização e o mundo sem barreiras, mas também se voltam para o artesanal, para dentro de casa, para as relações afetivas… Sentem falta do tempo que está passando em uma velocidade espantosa. Aí voltamos a costurar, cozinhar, bordar…voltamos a dar valor ao que é feito com mãos carinhosas, mesmo com taaantas opções nas lojas.

Para finalizar esse textão (obrigada a quem leu até aqui), o tempo da vovó é uma ótima fonte de inspirações, e, melhor ainda, podemos unir o “antigo” com tudo que o “novo” oferece. Podemos costurar e postar para o mundo ver nosso trabalho e, desse modo, construir nossa autoridade, ajudar o próximo, sermos ajudados e enfrentar obstáculos através das informações disponíveis. Claro que tudo com muita verdade e amor.

Quando eu for avó, espero que meus netos me vejam como eu via a minha…

O que você acha dessa história toda?

Lara Rogedo